quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Professores de estórias

Se não fosse o frio que está na rua a esta hora… eu gostaria de estar perto de uma fogueira a olhar para as estrelas e a escrever, com os phones nos ouvidos para que a música me acompanha-se enquanto a caneta percorre estas folhas. Como se fosse uma ordem ela escreve letra por letra aquilo que penso ou conjugo na minha mente. Será a prisioneira dos meus recados ou mensagens? Será a tinta o sangue que lhe faço derramar por exigir que escreva o que sinto ou passo?
Pensei numa estupidez que ainda assim vou contar. E se as folhas já não me deixassem preenche-las com as minhas palavras, e a caneta já não fizesse parte desta indumentária? Que seria de mim sem eles?

Esta poderá parecer a conversa mais banal de todo o sempre, tola ou louca. Mas eu não vivo sem isso por muito que nos voltemos para o digital eu continuarei a sentir falta das folhas e da tinta azul de uma caneta, com o seu cheiro tão característico. Não as considero escravas dos humanos, mas sortudas por poderem fazer parte de alguns dos momentos mais belos que descrevemos, dos lindos desenhos e das magníficas músicas.

Por muitos mais anos que passem continuarei a andar sempre com um papel e uma caneta para qualquer lugar que vá, mesmo que não os use sempre, mas já faz parte e se não os tiver sinto-me incompleta. Nem todos os dias terei a capacidade de escrever, de retratar expressões, de desabafar ou até de apontar uma frase, no entanto, como simples companheiros de tantas horas, seguirão dia após dia comigo!

Não preciso de cores, chega-me bastante bem o azul, não quero corrector pois a escrita quer-se com imperfeições porque nada, mesmo nada, sai bem de uma vez só, há sempre aresta para limar, pontos a retocar, coisas que deixamos passar. Se não o alteramos logo sei que o faremos num momento em que haja disponibilidade para isso ou que a mente já tenha crescido e assim nos ensinado. Vejo isso comigo, principalmente, na maneira como pontuava as frases e como ainda o faço… tenho que crescer muito, tenho de maturar ideias e conceitos chave para que possa, um dia, escrever melhor, sem erros e com uma pontuação o mais correcta possível.

Em cada livro há uma história e nesse mesmo livro há um professor que nos ajuda a ganhar vocabulário, nos incute regras. Muitos autores logo, muitos professores com diferentes estilos que criam sem mais demoras uma remistura de emoções, conceitos e histórias… que criam um novo ser dentro de nós, como se nascesse um mundo de estórias, um professor que passará algo, um estilo próprio…

Não sou escritora, sou apenas alguém que gosta de dividir com o mundo os seus pareceres. Sei bem que não é para todos aquilo que escrevo. Há que vir com paciência, gosto e com críticas construtivas que eu quero é aprender.

Boa noite professores, obrigado pela lição deste dia. Amanhã quero aprender mais!

p.s-Conto com a sua resposta hoje e sempre, conto com ela mais que uma vez e não pense, nem por um momento, que esta não me faz falta. Porque ela é parte integrante de mim.
Esta nuvem de cultura onde se remisturam coisas (aquilo que quisermos).

Liliana, 19 de Dezembro de 2010, às 04:24 (deu-me para escrever)

2 comentários:

Somniator disse...

Interessante como cada pessoa desenvolve uma maneira de expressar seus sentimentos. Escrever, por exemplo, é a minha preferida, junto com a música.

Pôr no papel tudo aquilo que nos martela a mente: amores, medos, dúvidas, certezas e tantas outras coisas, nem sempre é tarefa simples. Mas escrevemos por que nos faz bem. Por que é a forma que encontramos para exteriorizar aquilo que nos consome por dentro.

E mesmo a modernidade - essa que torna "virtual" nossa escrita - não é capaz de substituir a beleza com que cada palavra... Letra por letra é cravadas de maneira particular na folha branca. Afinal a caligrafia é pessoal. É a forma como cada um desenha as letras. E isso é único. Bem diferente das "fontes" e suas padronizações.

Um texto deve nascer e morrer, assim como tudo na natureza. É um processo. E como todo processo, é algo inacabado. Que pode mudar ao longo do caminho. Assim, palavras são substituidas, frases são riscadas, rasuras podem surgir. E isso é importante. Demonstra nossas decisões. E somente no papel nossas decisões são perceptiveis.




Continue a escrever Liliane. Se isso lhe faz bem, faça! Na alegria, na tristeza... apenas faça. E eu sei que faz. Pois em muito nos parecemos quando se trata de escrever (vc mesma já afirmou isso)
E lembre-se, este é um espaço só seu. Portanto, escreva sem medos, sem preocupações. Liberte-se dos padrões.

PS: E não me tenhas como professor, viu?! É muito pra mim rsrs
Mas se quiseres um amigo, sabes onde me encontrar!

=]

Grande bjo Liliane!

Biblioteca Escolar disse...

Quem tem por lema "quero aprender mais" e a sensibilidade, cada vez mais rara, para atentar no poder da palavra e no seu uso literário, certamente, terá um futuro radiante.

Ana Cristina Matias